quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Futebol e Política: Conheça um pouco mais sobre o Al-Hilal

    A contratação surpreendente de Neymar pelo Al-Hilal em 2023 gerou considerável repercussão no cenário do futebol. Com 31 anos, o atacante brasileiro deixou o Paris Saint-Germain (PSG) para firmar um contrato de dois anos com o clube saudita, mediante um pagamento de 100 milhões de euros (R$ 540 milhões) ao time francês. Além disso, Neymar receberá um vultuoso salário de 320 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão) no total, embora não inclua bônus vinculados a desempenho em campo ou atividades nas redes sociais.

A Contratação do jogador Neymar pelo Al-Hilal repercurtiu mundialmente


    O impacto da transferência meche tanto no futebol saudita quanto no panorama global do esporte. Para o Al-Hilal de Riade, amplamente considerado o clube mais eminente e bem-sucedido da nação e da Ásia, a chegada de Neymar é na prática um movimento geopolítico, em um cenário em que a Arábia Saudita busca promover o futebol do país e a imagem nacional no cenário mundial.

    O Al-Hilal já havia assegurado outros jogadores de renome, incluindo Kalidou Koulibaly, Rúben Neves, Sergej Milinković-Savić e Malcom, sob a orientação do técnico Jorge Jesus. Com a incorporação de Neymar, a equipe ambiciona conquistar mais títulos em âmbito nacional, continental e até mesmo mundial, além de atrair um acréscimo de torcedores, patrocínios e atenção da mídia global.

    Localizado em Riade, Arábia Saudita, o
Al-Hilal foi fundado pelo sheik Abdulrahman Bin Saeed em 16 de outubro de 1957. O nome do clube, "Al-Hilal," traduz-se como "Lua Crescente," uma alusão ao símbolo nacional da Arábia Saudita. O clube é considerado o clube mais popular e vitorioso do país e da Ásia, tendo conquistado 66 títulos oficiais em competições tanto nacionais quanto internacionais.

 

Al-Hilal foi fundado pelo sheik Abdulrahman Bin Saeed
em 16 de outubro de 1957


    A participação do Al-Hilal ocorreu em todas as edições do Campeonato Saudita de Futebol desde sua criação em 1976, sendo o recordista de títulos com 18 conquistas. Adicionalmente, detém o recorde de títulos da Copa da Coroa do Príncipe (13), da Copa da Federação (7) e da Copa do Rei (10). Acrescido a isso, o clube venceu três vezes a Supercopa e uma vez a Saudi Funder's Cup, um torneio que ocorre a cada centenário.

    Internacionalmente, o Al-Hilal alcançou grande destaque na Liga dos Campeões da AFC, sendo o clube mais bem-sucedido com quatro títulos (1991, 2000, 2019 e 2021), além de quatro vice-campeonatos (1986, 1987, 2014 e 2017). O clube também ostenta títulos da Recopa Asiática em 1997 e 2002, bem como da Supercopa da Ásia em 1997 e 2000. Reconhecendo sua excelência, a IFFHS elegeu o Al-Hilal como o melhor clube asiático do século XX em 2009. Nas participações na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o clube alcançou seu melhor resultado ao garantir o quarto lugar em 2019.

    A história do Al-Hilal é repleta de jogadores renomados, muitos deles brasileiros. Um dos primeiros a marcar presença foi Rivellino, que ingressou no clube em 1979 aos 33 anos, pouco após o estabelecimento do campeonato profissional saudita. Este notável jogador é considerado o maior na história do Al-Hilal, sendo reverenciado pela torcida até hoje. Diversos outros brasileiros também deixaram sua marca no clube, incluindo Carlos Eduardo, Thiago Neves, Aílton, Giovanne Élber, Rogerinho e Leonardo. Surpreendendo o mundo em 2023, o Al-Hilal contratou o astro Neymar Jr., tornando-o o jogador mais bem remunerado do planeta.

    No mesmo ano, 2023, o clube vivenciou uma transformação em sua estrutura societária. O Public Investment Fund (PIF), o Fundo Soberano Saudita, adquiriu 75% das ações do clube, assumindo o controle diretorial. O PIF investiu substancialmente na contratação de jogadores de elite, incluindo Kalidou Koulibaly, Rúben Neves e Sergej Milinković-Savić, além de Neymar. A meta do fundo é elevar o Al-Hilal ao status de um dos principais clubes globais, capaz de rivalizar com os gigantes europeus.

O Fundo Soberano Saudita (PIF)

    O fundo soberano saudita representa uma reserva financeira do governo da Arábia Saudita voltada para investimentos estratégicos, tanto no país como no exterior. Denominado Public Investment Fund (PIF), foi estabelecido em 1971 com o propósito de viabilizar projetos de crescimento econômico e progresso social no território saudita.

O Patrimônio do PIF estava avaliado em
US$ 430 bilhões em 2021


    O PIF figura entre os maiores fundos soberanos globais, ostentando um patrimônio estimado em cerca de US$ 430 bilhões em 2021. Sua principal fonte de recursos provém dos lucros oriundos da exploração e exportação de petróleo, correspondendo a cerca de 80% das receitas governamentais sauditas. O fundo também recebe aporte de verbas provenientes de privatizações, dividendos, empréstimos e outras fontes.

    Sua missão primordial é a de se firmar como um investidor líder em escala global, concentrando-se em investimentos de longo prazo e eficazes que contribuam para a diversificação da economia saudita e para o fomento de emprego e renda na população. Nesse sentido, o PIF se destaca como um dos principais motores por trás da Visão 2030, um ambicioso programa de transformação econômica apresentado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman em 2016, visando à redução da dependência do petróleo e à modernização do país.

    O escopo de atuação do PIF abarca diversos setores e mercados tanto internos quanto internacionais. Tais setores prioritários englobam energia, mineração, infraestrutura, transporte, telecomunicações, tecnologia, saúde, educação, turismo, entretenimento e esporte. Com relação a mercados estrangeiros, o PIF mantém investimentos nos Estados Unidos, Japão, França, África do Sul, Rússia, China, Índia e Brasil.

    Os investimentos de destaque realizados pelo PIF englobam a aquisição de 5% das ações da Uber em 2016 por US$ 3,5 bilhões; a obtenção de uma fatia de 45% na empresa de energia solar SoftBank Vision Fund em 2017 por US$ 45 bilhões; o anúncio de um ambicioso projeto de US$ 500 bilhões para a criação da cidade inteligente Neom no noroeste da Arábia Saudita em 2017; a aquisição de 25% das ações do clube de futebol Newcastle United em 2020 por US$ 400 milhões; e o anúncio de um investimento potencial de até US$ 10 bilhões no Brasil em 2019.

    Fica evidente que o fundo soberano saudita assume ares de ferramenta robusta para o governo saudita concretizar seus desígnios de desenvolvimento e influência à escala mundial.
E sim, a contratação de "superatletas", faz parte dessa política de investimentos e promoção da imagem do governo saudita.

A Contratação de Neymar

    No contexto do futebol saudita, a contratação de Neymar tenta projetar dimensão econômica e política do país para dentro dos gramados, o Estado Saudita direciona substanciais investimentos no esporte como parte de sua estratégia de modernização e diversificação. O Public Investment Fund (PIF), entidade soberana saudita, detém 75% do controle acionário do Al-Hilal e tem como aspiração transformar o clube em um dos líderes globais. Não se pode ignorar que a transferência de Neymar para a Arábia Saudita amplia a visibilidade e a competitividade da Liga Saudita, provocando um aumento na audiência e no interesse do mercado internacional. Um exemplo é a compra dos direitos de transmissão da competição pela Band no Brasil.

    Em perspectiva mundial, a contratação de Neymar pelo Al-Hilal evidencia que os clubes não situados na Europa podem emergir como protagonistas na batalha pela contratação dos melhores jogadores do mundo. Essa transferência representa a mais significativa já realizada por uma equipe fora do continente europeu na história, superando inclusive a ida de Cristiano Ronaldo para o Al-Nassr em 2022. Esse movimento pode influenciar futuras negociações e gerar um novo tipo de concorrência nas ligas e nos contratos de patrocínio europeus. Ademais, tal fato pode impactar o desempenho dos jogadores em suas seleções e clubes, visto que precisarão adaptar-se a uma realidade cultural e esportiva inovadora.

    Do ponto de vista de Neymar, a escolha de ingressar no Al-Hilal carrega consigo controvérsias e pode render vantagens e desvantagens para sua carreira. Por um lado, proporciona uma significativa soma em termos financeiros e a oportunidade de liderar um projeto ambicioso. Por outro lado, afasta-o dos holofotes do futebol europeu e pode diminuir suas chances na disputa pela Bola de Ouro e pelo título de melhor jogador do mundo. Conforme o jornal L'Equipe, Neymar planeja retornar à Europa após o término de seu contrato com o Al-Hilal em 2025, quando terá 33 anos. Sua meta também engloba a participação na Copa do Mundo de 2026.

    A contratação de Neymar pelo Al-Hilal inscreve-se como um dos episódios mais marcantes da história recente futebol. Essa transferência não apenas envolve quantias substanciais, mas também interesses de natureza política e esportiva, reverberando em múltiplos âmbitos. O decorrer do tempo revelará se tal decisão foi benéfica tanto para o jogador quanto para o clube.

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