terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Qual a Origem do Natal

 Todos os anos ao redor do mundo milhões de famílias se reúnem para celebrar o Natal. Na verdade, mesmo em países sem tradição cristão como China e Japão, é possível encontrar diversos enfeites decorando as ruas e lojas das maiores cidades.

Quando foi celebrado o Primeiro Natal?


O Natal é uma festa cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo, o filho de Deus que se fez homem para salvar a humanidade do pecado.

Natal é uma festa cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo


A Bíblia não nos diz exatamente em que dia Jesus nasceu, mas especialistas e teólogos acreditam que provavelmente foi entre os meses de março e abril. Isso por causa de um relato bíblico descrito no evangelho de São Lucas 2:8, em que é mencionado o fato dos pastores estarem no campo. É improvável que os pastores pudesse dormir no relento no inverno de Dezembro. Isso só poderia ocorrer na primavera, quando nascem os cordeiros, nos meses em que os pastores cuidavam dos rebanhos ao ar livre.


Então, por que o Natal é celebrado no dia 25 de dezembro?


O dia 25 foi escolhido pela Igreja Católica no século IV, provavelmente para substituir uma festa pagã que acontecia nesse dia em honra ao deus sol (natalis invicti solis), no solstício de inverno do hemisfério norte. Essa provavelmente foi uma forma de atrair os pagãos para o cristianismo, e apagar os resquícios da antiga festa, dando um novo sentido para a celebração.

A primeira vez que se registrou a celebração do Natal no dia 25 de dezembro foi no ano de 336, em Roma, durante o reinado do imperador Constantino, o primeiro imperador romano a se converter oficialmente ao cristianismo. Pouco depois, o Papa Júlio I oficializou o dia 25 como o dia do nascimento de Jesus no ano 350.

Aos poucos, a Festa do Natal se espalhou pelo Império Romano e pelas comunidades cristãs do Oriente, que antes celebravam o nascimento de Jesus em outras datas, como 6 de janeiro ou 19 de abril

Imperador Justiniano reinou de 527 a 540


O Imperador Justiniano declarou o Natal feriado oficial do Império Romano do Oriente em 529. Essa declaração foi uma forma de reforçar a importância do cristianismo como a religião oficial do império. No século IX, o Natal já era celebrado em todo o mundo cristão.

O Outro Natal


É importante lembrar que a maioria dos países católicos ortodoxos comemoram o Natal em 7 de janeiro, em vez de 25 de dezembro, que é a data em que os cristãos ocidentais celebram o Natal. A razão para essa diferença é que há dois diferentes calendários envolvidos na determinação da festividade.

Após o fim da 1ª guerra, muitos países predominantemente ortodoxos ficaram sob a influência de outros que já utilizavam ou adotaram o calendário gregoriano. A Igreja Ortodoxa, no entanto, decidiu continuar usando o calendário juliano para suas datas eclesiásticas.

Há muitas semelhanças entre as igrejas Ortodoxa e Católica, mas suas celebrações têm se distanciado ao longo dos anos. Por exemplo: a celebração ortodoxa do Natal em 7 de janeiro ocorre depois de 40 dias de jejum e nenhum presente é dado, ao contrário do que acontece no Ocidente.

O Melhor Natal


O Natal é uma ocasião para lembrar e agradecer pelo grande amor de Deus, que enviou o seu Filho ao mundo para nos salvar (João 3:16). Jesus nasceu em uma manjedoura, em uma pequena cidade humilde, de uma família simples, para mostrar que ele veio para todos, sem distinção. Um símbolo de humildade e amor.

No século IX, o Natal já era celebrado em todo o mundo cristão


O Natal também é uma oportunidade para celebrar a vida, a família, os amigos, a paz e a esperança. É um tempo de renovar a nossa fé e de compartilhar o amor de Deus com o próximo. É um convite para sermos mais generosos, solidários e fraternos, seguindo o exemplo de Jesus.

O Natal é uma festa que tem uma origem histórica e também um significado espiritual. É uma data para celebrar o nascimento de Jesus, o Salvador do mundo, e para viver os valores do seu Reino, como o amor, a paz, a justiça e a alegria. O Natal é uma festa que nos convida a nos aproximar de Deus e dos nossos irmãos, e a renovar a nossa esperança em um mundo melhor.

Um Feliz Natal!

sábado, 2 de dezembro de 2023

A CIJ na disputa entre Venezuela e Guiana

    A disputa territorial entre a Venezuela e a Guiana é um conflito de longa data que remonta ao período colonial, quando as potências europeias estabeleceram suas colônias na América do Sul. A área em disputa é a região do Essequibo, que corresponde a cerca de 75% do território da Guiana, rica em recursos naturais como minério e petróleo, que tem sido objeto de reivindicações territoriais por ambas as nações.

A Reivindicação Venezuelana corresponde a 75% do território da Guiana

 

História da Disputa

    A região do Essequibo foi inicialmente explorada pela Espanha e pela Holanda antes de se tornar parte da colônia britânica da Guiana. Em 1899, um laudo arbitral em Paris estabeleceu as fronteiras atuais, concedendo o controle da região à Guiana Britânica. No entanto, após a independência da Guiana em 1966, a Venezuela rejeitou o laudo arbitral, alegando que era inválido devido a alegações de imprecisões e parcialidade dos árbitros.

O Acordo de Genebra e a Disputa Contemporânea

    Em 1966, foi assinado o Acordo de Genebra entre a Venezuela, o Reino Unido e a Guiana, que anulou o laudo arbitral de 1899 e estabeleceu as bases para uma solução negociada para a disputa. Desde então, a Venezuela tem reivindicado a região do Essequibo como parte de seu território, apesar de estar sob administração da Guiana. 

Território correspondente a Guayana Esequiba

 

O Plebiscito Venezuelano

    Recentemente, a disputa ganhou um novo capítulo com a Venezuela convocando um plebiscito para decidir sobre a anexação da região do Essequibo. O governo venezuelano propôs a criação de uma nova província chamada "Guayana Esequiba" e a concessão de nacionalidade aos habitantes da região. O plebiscito está marcado para 3 de dezembro e tem sido visto como uma tentativa de fortalecer as reivindicações venezuelanas sobre o território. 

Implicações Geopolíticas e Econômicas

    A região do Essequibo é estrategicamente importante devido à sua riqueza em recursos naturais, incluindo petróleo e ouro. A descoberta de campos de petróleo pela companhia americana ExxonMobil em 2015 intensificou a disputa, quando a Venezuela viu uma oportunidade de reivindicar os recursos naturais da região. 

Em 2022 a economia da Guiana cresceu 48% graças a exploração do Petróleo

 

Reações Internacionais e Regionais

    A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e o Brasil, tem acompanhado de perto a situação. O Brasil, em particular, tem uma grande preocupação com o tema, sendo um país vizinho e parceiro tanto da Venezuela quanto da Guiana. A possibilidade de um conflito armado entre as duas nações é uma preocupação para a região, e há apelos para que a disputa seja resolvida pacificamente através de canais diplomáticos.

Monte Roraima — zona da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana

 

A Disputa na Corte Internacional de Justiça

    A disputa territorial entre a Venezuela e a Guiana pelo território do Essequibo se intensificou recentemente devido à descoberta de campos de petróleo na região. A Guiana defende que é a proprietária do território com base em um laudo de 1899, enquanto a Venezuela alega que o território lhe pertence conforme um acordo de 1966 com o Reino Unido.

    A Corte Internacional de Justiça (CIJ), que é a principal instância legal da ONU, é complexa. A Venezuela reiterou na CIJ que não reconhece a jurisdição do tribunal na questão e afirmou que nada poderia impedir o país de organizar um referendo sobre a região disputada. Por outro lado, a Guiana deseja que a disputa seja resolvida na CIJ, buscando uma solução legal e pacífica para o conflito como estabelecido no acordo de 1966.

    O Governo Venezuelano insiste para que a CIJ rejeite a reivindicação territorial apresentada pela Guiana, mantendo-se firme em sua posição de que o Essequibo lhe pertence e que a disputa deve ser resolvida por meio de negociações diretas com a Guiana, em vez de intervenção legal. A situação é complicada e envolve aspectos políticos internos venezuelanos, onde a disputa territorial entrou no debate político antes das eleições presidenciais de 2024. Mas não se pode negar que é possível que também haja interesse externos de potências alinhadas a Caracas.

    A disputa territorial entre a Venezuela e a Guiana é um exemplo complexo das tensões que podem surgir devido a heranças coloniais e à disputa por recursos naturais.